Uso de analgésicos para dor nas costas pode causar disfunção erétil, diz estudo

June 28, 2015

 

Disfunção erétil é a dificuldade, durante um período superior a seis meses, em obter ou manter a ereção na relação sexual. Quando ela ocorre, geralmente há algum motivo, psicológico ou orgânico, por trás, levando à perda da rigidez nas ereções, à diminuição do tempo de ereção ou, em casos mais graves, à incapacidade de se ter uma ereção. Agora, um novo estudo, publicado dia 15 de maio pela versão online do periódico Spine, descobriu mais uma causa para a disfunção erétil. Segundo pesquisadores do Kaiser Permanente Center for Health Research, nos Estados Unidos, o uso regular de medicamentos opioides para tratar a dor nas costas está associado à disfunção erétil.

 

De acordo com o U.S. Centers for Disease Control and Prevention's Mortality and Morbidity Report, a prescrição de analgésicos opioides quadriplicou entre 1999 e 2010. Outro estudo recente publicado no periódico Pain estimou que cerca de quatro milhões de adultos usam opioides regularmente. Os princípios ativos hidrocodona, oxicodona e morfina são os mais comuns.

 

Para este estudo, foram identificados 11.327 homens norte-americanos que visitaram seus médicos durante o ano de 2004. A pesquisa examinou o histórico de prescrição de remédios nos seis meses anteriores e posteriores à visita médica que identificou a dor nas costas. O intuito foi identificar quando medicações para disfunção erétil e reposição de testosterona foi associada aos opioides.

 

A divisão de grupos feita na pesquisa seguiu a seguinte classificação:

-"Nenhum" para homens que não consumiram analgésicos opioides;

- "Agudo" para homens que usaram a medicação por três meses ou menos;

- "Episódico" para homens que tomaram os remédios por mais de três meses e menos que quatro meses e usaram menos que 10 refis.

- "Longo termo" para homens que tomaram opioides por (a) pelo menos quatro meses (b) mais que três meses com consumo de mais de 10 refis.

 

Qualquer dose acima de 120 mg foi considerada alta.

 

Mais de 19% dos homens que tomaram altas doses de opioides por pelo menos quatro meses também receberam medicações para disfunção sexual ou reposição do hormônio testosterona. Mais de 12% dos homens que tomaram baixas doses de opioides (menor que 120 mg) por pelo menos quatro meses também receberam medicações para disfunção sexual ou reposição do hormônio testosterona. Menos de 7% dos homens que não tomaram opioides receberam medicações para disfunção sexual ou reposição do hormônio testosterona.

 

Os pesquisadores também detectaram que a idade foi o fator mais significante associado ao uso de medicações para disfunção erétil. Homens com idade entre 60 e 69 anos estavam 14 vezes mais propenso a receber uma receita de medicação para disfunção erétil em comparação com homens com idade entre 18 e 29 anos.

 

Outras condições de saúde, como depressão e uso de medicação sedativa derivada dos benzodiazepínicos, também estavam ligadas ao uso de medicação para disfunção erétil. Mesmo depois de considerar todos esses fatores, os pesquisadores concluíram que o uso de opioides em longo prazo está ligado à prescrição de medicação para disfunção erétil.

 

Segundo os pesquisadores, o achado não significa que os opioides causem disfunção erétil, no entanto, deve chamar atenção de médico e paciente para a decisão de usar ou não opioide no tratamento de dor nas costas. De acordo com os cientistas, não há dúvidas de que há casos em que o uso de opioides é indicado, no entanto, há evidência crescente de que o uso prolongado pode causar vício, apneia do sono, overdose fatal, ocorrência de quedas na velhice, redução da produção de hormônios e, agora, disfunção erétil.

 

Evite erros ao tratar uma dor crônica

 

O descaso com a origem de uma dor é uma das principais razões para que o problema afete tanta gente. "Muitos pacientes não buscam tratamento quando a dor ainda é um problema discreto, contribuindo para que ela se agrave a ponto de, em alguns casos, se tornar insuportável", afirma o neurologista José Geraldo Speciali, da Sociedade Brasileira para Estudos da Dor (SBED). O erro grave, no entanto, vem acompanhado de outros.

 

Fonte: Minha Vida

Tags: "cérebro"

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